Histórias de Moradores de Botafogo

Esta página em parceria com o Museu da Pessoa é dedicada a compartilhar histórias e depoimentos dos Moradores do bairro.


História do Morador:
Francisco Guedes da Silva

Local: Rio de Janeiro
Publicado em: 26/08/2015






História: Francisco, o Espalhador de Livros em Botafogo

 

Sinopse:

O bravo paraibano Francisco - que como tantos outros nordestinos vieram lutar pela vida no Rio de Janeiro - se tornou uma personalidade da urbe carioca ao montar, em 1987, uma banca de livros e objetos usados em plena rua, no bairro de Botafogo. O negócio prosperou, arrefeceu, mas ainda subsiste.

História:

“OS VERDADADEIROS ANALFABETOS SÃO OS QUE APRENDERAM A LER E NÃO LEEM.” Mário Quintana (1906 – 1994) A história curiosa de um mercado de objetos usados, expostos ao ar livre, no tradicional bairro de Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro. Um verdadeiro brechó a céu aberto, que foi criado em 1987 pelo nordestino Francisco Guedes da Silva, mais conhecido como “Hippão”. Autodidata, conta que já veio ao mundo “aprendido”.

Casado, um casal de filhos e uma neta, ele relembra que recebeu o folclórico apelido quando produzia manualmente cintos, sandálias de couro e borracha na famosa “Feira de Artes e Artesanato” durante as décadas de 1960 e 1970. Chamada de “Feira Hippie”, o popular evento - oficializado em 1968 - acontece até hoje na Praça General Osório, em Ipanema, aos domingos, embora descaracterizado pela invasão de artigos industrializados de origem chinesa.

Nascido em 10 de janeiro de 1951 no estado da Paraíba, na cidade de Guarabira - fundada em 1694 e cognominada “Rainha do Brejo” -, o capricorniano Francisco veio para o Rio de Janeiro em 1964.Um menino de 13 anos de idade dormindo ao relento em plena ebulição de um golpe civil-militar que derrubou o governo legitimamente estabelecido no país e assumiu o poder, prenunciando os “anos de chumbo” que viriam em seguida, de triste e indelével recordação. “EU CONSIDERO UM ESCÂNDALO A OBTUSA NATURALIDADE DE QUEM, EM UMA FAXINA DOMÉSTICA, SE LIVRA DE DOCUMENTOS PRECIOSOS DA NOSSA VIDA LITERÁRIA.” Humberto Werneck (1945).

Na esquina das ruas Voluntários da Pátria e Palmeiras, defronte aos Correios - o ponto do comércio autônomo de “Hippão” -, das 9 às 17 horas, pode-se encontrar de tudo (ou quase). Muito especialmente livros usados, que ele recolhe em casas, escolas e bibliotecas, evitando assim sua destruição e esquecimento, preservando memórias, espalhando conhecimento. E ainda LPs, CDs, fitas de vídeo, VDLs e cassetes, além de fotografias antigas, quadros, pinturas e reproduções, aparelhos de som, televisores, todo o tipo de máquinas etc... Tudo de segunda mão e nem sempre funcionando a contento. Centenas de pessoas transitam diariamente pelo local, parando para observar, comprar ou folhear as publicações, às vezes, raridades. E também bater papo, já que o guarabirense Francisco é muito sociável, extrovertido e espontâneo, um emérito contador de estórias (afirma que migrou sozinho, a pé, para a então Guanabara, caminhando incansavelmente por 18 meses, em um desafio a si mesmo, num daqueles casos em que a lenda supera a realidade).

“OS LIVROS APARECEM E MORREM NAS LIVRARIAS.” Machado de Assis (1839 – 1908) Por dois anos (de 2012 a 2014) fotografei a atividade de Francisco Guedes da Silva e sua vida cotidiana - um ritual atribulado e, até mesmo, divertido. Primeiramente, de longe. Depois me aproximei e tornei-me amigo e cliente. Adquiri vários livros, LPs e CDs. Admito que me aproveitei e na camaradagem obtive bons descontos nos preços. Em tempos de crise econômica pechinchar é preciso. A preservação da natureza é também uma preocupação do “Hippão”.

O tenaz paraibano garante que algumas árvores nos canteiros próximos, nas calçadas, foram plantadas por ele, que as cuida com atenção e carinho, como a jaqueira e as palmeiras em que fez questão de posar ao lado, parecendo um ator, em engraçados solos. De mudança programada em breve, Francisco autorizou a exposição de meu trabalho, cuja trilha sonora, a Sonata em Dó Maior para Viola da Gamba e Cravo Obligato, de Georg Friedrich Handel (1865 – 1759), interpretada pelo DUO FOLIA (David Chew, violoncelo, e Nicolas de Souza Barros, alt-guitar e arranjo), teve a autoria disputada em 1995, sendo atribuída ao compositor alemão e organista Matthias Leffloth (1705 – 1731). Bem, mas isto já é outra história, e fica para outra ocasião.

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